21 de mar. de 2010


Senna, o Senhor do tempo


Meu amigo, cá entre nós, nesta data meu personagem só poderia ser o maior ídolo esportivo do Brasil de todos os tempos, nosso eterno piloto Ayrton Senna.
A figura do herói brasileiro torna-se especial, por diversos fatores, principalmente pela particularidade com que, diferente de todas as demais pessoas neste planeta, ele ainda mantém uma relação diferenciada com o tempo.
Sim, ao contrário dos mortais, Senna sempre mostrou-se soberano pela capacidade com que guia e controla o tempo. Nele os valores são invertidos, a lógica é quebrada, e a razão, por incrível que pareça, é afetada de maneira esplêndida pelas forças da emoção.
A relação parece ser não apenas de controle, mas de amizade. Dentro das pistas o brasileiro sempre conseguiu fazer com que seus segundos fossem mais rápidos, que os milésimos fossem eternos, enfim, fez do tempo seu maior aliado para as conquistas obtidas.
Diferentemente do que muitos imaginam, quem corria era o tempo, controlado pelo melhor piloto já existente. Era o segredo das conquistas, explicando de maneira subjetiva, a maior das racionalidades: Senna é fenomenal.
Desde sua partida já se faz 15 anos. Hoje o maior corredor da história completaria 50 anos de idade. Veja bem, outro dia mesmo, estava sentando em casa, vendo nosso mais expressivo brasileiro fazer de cada volta uma verdade vitória dentro de mim, de cada acelerada a alegria em ser brasileiro e a cada freada a certeza de que tinha viajado no imaginário, pois, graças às reduções, segurava consigo o impulso frenético de milhões de brasileiros, trazendo-os brevemente de volta à realidade.
Pois bem, quando digo que Ayrton e o tempo mantêm contato único e benéfico, argumento dizendo que quanto mais tempo se passa, mais as lembranças, o carinho e minha admiração por ele crescem e se eternizam.
Parabéns, grande herói! Obrigado pelas alegrias e por se fazer cada vez mais presente em meu coração!

19 de ago. de 2009


Biro-Biro – O imortal da camisa 8

Hoje tive o grande prazer de conhecer uma figura especial, o cara que imortalizou a camisa número 8 do esquadrão corintiano na década de 80.
De vê-lo galgar pela cancha do Barão da Serra Negra, na minha saudosa Piracicaba, vem a primeira lembrança dentro de um campo de futebol.
Como se fosse hoje, a imagem do célebre meio de campo apresenta-se nítida e colorida na minha cabeça.
O tempo transformou aquela figura ímpar em um verdadeiro ícone do futebol brasileiro. Sua estrela brilha atualmente em comerciais de marcas famosas.
Biro-Biro é um cara diferenciado. Bem próximo dele senti toda esta diferença. Apesar da velocidade no contato, não deu para ficar muito com lero-lero, o romântico jogador mostrou-se simpático.
O gente boa parece não ter sofrido as conseqüências do tempo. Está igual ao guerreiro que outrora corria mais do que a bola para compensar a falta de categoria.
Mas o Biro-Biro é o Biro-Biro, vai ser craque sempre. É melhor até que o Maradona, segundo enquetes realizadas ano passado.
O que eu mais curti no folclórico atleta foi estar perto daquela cabeleira histórica. Ela também continua igual, como se os fenômenos da natureza não pudessem exercer qualquer tipo de influência sobre ela.
Ahh aqueles cachos que parecem oriundos do cruzamento de uma bananeira com uma samambaia.
Confesso que foi bom demais ver ele. Ele representa muito da cultura corintiana, cultura da maioria, cultura da massa.
O olhar ao camisa 8 transcende a figura do indivíduo. Trata-se de enxergar o coletivo, a maioria, a verdade de que sua ausência no cenário esportivo torna o jogo mais chato, mais pobre, sem aquela graça.

1 de jul. de 2009

AMOR ETERNO...

Independente do que aconteça hoje, nesta final de Copa do Brasil, eu nunca vou te abandonar por que eu te amo!!!

Vamo Timão!!!!!

21 de jun. de 2009

14 ANOS SEM ROJÃO!

Daqui há duas semanas o escrete alvinegro entra em campo para mais uma importante batalha contra os sulistas. Trata-se da segunda parte do confronto mais importante que o Corinthians tem este ano.
Corinthians e final de Copa do Brasil promovem uma espécie de reação química no meu peito que parece ebulir, tocando minha mente de modo a estabelecer a cíclica lembrança que outrora marcou minha vida: Há 14 anos não solto mais rojões.
Pois foi de ver, ainda menino, o pé de anjo empurrar a redonda para as redes do tricolor gaúcho que senti uma das melhores manifestações de alegria destes bem assistidos 30 anos de futebol.
No auge da vibração resolvi soltar um rojão para externar ainda mais minha felicidade. Era um momento diferenciado! Cego pela emoção não percebi que o havia amarrado do lado contrário. Isso mesmo, amarrar! (Nunca fui um destes caras valentes que soltam rojão direto na mão. Eu os amarrava em um cabo de vassoura).
Pois bem, foi de ver meu irmão acendê-lo que se fez a revelação. Apontei o rojão em direção à praça que ficava em frente de casa, na minha querida Piracicaba. Neste instante meu irmão colocou fogo e, fascinados por aquele momento, fixamos nossos olhares para frente, com o propósito de ver o treco riscar o ar e explodir com toda aquela barulheira que carregava consigo.
Após rápidos segundos percebemos que o trem não havia partido, pelo menos para frente. Nos olhamos e, simultaneamente, viramos para a sala de casa. Ao lado do meu irmão mais novo uma bolinha girava soltando fumaça. Em menos de 10 segundos a sala havia se transformado numa verdadeira sauna.
Na verdade meus irmãos são paulinos consideraram como o inferno, mas para mim foi o paraíso, estava em meio as nuvens com o título conquistado.
A sala continuou em pé, mas confesso ter caído perante a coragem de voltar a soltar um rojão.

15 de jun. de 2009

BOTAR PARA CORRER!

Navegando pelas páginas deste fantástico mundo virtual tive a satisfação de trombar com uma notícia sobre a nossa seleção. Lá na África os canarinhos encantam a torcida local com seu jogo, algo que qualquer equipe mais organizadinha de peladeiros deste nosso país seria capaz de fazer.
Confesso que até nisso a seleção brasileira erra. Incentivar os africanos a torcer é algo terrível. Quando empolgados eles emitem aquele zumbido irritante que não permite a ninguém acompanhar a partida inteira do escrete verde amarelo. Basta ligar a TV e ouvir um barulho que simula milhares de abelhas voando ao seu redor de maneira enérgica.
Mas deixando este assunto de escanteio, meu personagem da semana é o lateral direito apoiador do Brasil. A ele remete a notícia que me deixou mais alegre e trouxe a mim a certeza de que as coisas com o time do Brasil estão normais.
Daniel Alves foi o atleta que mais correu nesta última partida contra o Egito. Vejam bem, a corrida é uma característica dominante nos seres obtusos, desprovidos da capacidade técnica e da intimidade com a bola.
Se perguntares ao jogador se ele chama a bola de você ou de senhora, mui respeitosamente ele chamará de senhora. Não existe o mínimo grau de parentesco entre a formosa redonda e o atleta em questão.
Trata-se de um falso patrício. Seu rosto não engana a ninguém, em sua veia corre sangue europeu que o faz se sentir como um verdadeiro Lorde Inglês. Tocar a relva rala parece ser um afronte aos seus pés delicados.
Mesmo assim amigos, foi ele quem mais correu – Talvez tentando se livrar deste contato com o tapete verde. Ele não é brasileiro, não cresceu nos solos de pedra e nunca esteve nos verdadeiros templos do futebol, onde nasce toda a ginga e malícia do futebol tupiniquim, as canchas de areia.
A bola é quem sempre teve vocação para correr, e isso todos os brasileiros sabem. Correr é coisa para europeu e africano. O negócio do brasileiro é botar para correr, seja a bola, o africano, ou o mais nobre do simples mortal europeu.

1 de jun. de 2009


AVENTUREIROS MODERNOS

Tenho percebido ao longo do tempo uma alteração marcante no perfil dos jovens praticantes de futebol. Cada vez mais precoces acham que dominam por completo o esporte e que seu futebolzinho, inspirado nos dribles de Cristiano Ronaldo, assombram os velhos guerreiros de outrora.
Mal sabem eles que estão no estágio inicial, são bebezinhos que acham que a descoberta da prática de defecar sentado no vaso sanitário significa ser o dono de um reinado europeu.
Ainda não tive o prazer de transmitir meu conhecimento dentro de campo para o meu primo Thiago, alguns anos mais novo.
Ele faz parte desta turma de ex-fraldinhas. Acha que me derrotará na primeira batalha que disputarmos. Sinto não poder ter sido seu mentor quando morávamos próximos.
Percebo que esta minha geração de românticos do futebol não terá continuidade. A beleza, o jogo inteligente perdeu-se no tempo.
Hoje o jogador corre, antes a bola corria, hoje o jogador berra, antes sorria, hoje o jogador é cego, antes enxergava, hoje o jogo é razão, antes era coração.
Espero poder colaborar de alguma maneira para a continuidade do futebol diferenciado que tantas alegrias proporcionou a esta nação de milhões.
Quem sabe o meu primo marrento, cujas pernas longilíneas são um convite àquela famosa caneta, deixa de ser cego e enxerga na imagem do primo mais velho o reflexo de toda qualidade que ele pode ter.

31 de mai. de 2009

RAINHA VESTIDA DE IMPERADOR

O meu personagem desta vez será o jogador Adriano, a quem devia uma homenagem, já faz algum tempo, neste singelo espaço para exposição de ideias.
O atacante rubro-negro é o produto mais expressivo do maior celeiro de craques da modernidade, a mídia.
No velho continente o jogador recebeu o título de imperador pela calorosa e fascinada torcida italiana.
Já ouvi muito dizer que a emoção costuma deixar as pessoas cegas. Creio que exista alguma uma explicação psicológica fundamentada sobre esta questão. Essa é a única explicação para que os apaixonados torcedores cometessem tamanho pecado.
Aposto minha coleção de mini-craques que dentro de seu túmulo Júlio César deve ter se remexido todo e proferido: “Até tú, Adriano?”!
Com os olhos da razão é fácil enxergar o atacante como a Rainha da Inglaterra vestida de Imperador. Sobra-lhe imagem e respeito, mas lá no fundo todos sabem que ele não faz nada, apenas engana.
Sua coroa não faz sombra ao peladeiro das canchas de areia, que do terrão quadrado, riscado com graveto e suor, cria seu reino e encanta toda a plebe com a maestria do seu jogo.