21 de jun. de 2009

14 ANOS SEM ROJÃO!

Daqui há duas semanas o escrete alvinegro entra em campo para mais uma importante batalha contra os sulistas. Trata-se da segunda parte do confronto mais importante que o Corinthians tem este ano.
Corinthians e final de Copa do Brasil promovem uma espécie de reação química no meu peito que parece ebulir, tocando minha mente de modo a estabelecer a cíclica lembrança que outrora marcou minha vida: Há 14 anos não solto mais rojões.
Pois foi de ver, ainda menino, o pé de anjo empurrar a redonda para as redes do tricolor gaúcho que senti uma das melhores manifestações de alegria destes bem assistidos 30 anos de futebol.
No auge da vibração resolvi soltar um rojão para externar ainda mais minha felicidade. Era um momento diferenciado! Cego pela emoção não percebi que o havia amarrado do lado contrário. Isso mesmo, amarrar! (Nunca fui um destes caras valentes que soltam rojão direto na mão. Eu os amarrava em um cabo de vassoura).
Pois bem, foi de ver meu irmão acendê-lo que se fez a revelação. Apontei o rojão em direção à praça que ficava em frente de casa, na minha querida Piracicaba. Neste instante meu irmão colocou fogo e, fascinados por aquele momento, fixamos nossos olhares para frente, com o propósito de ver o treco riscar o ar e explodir com toda aquela barulheira que carregava consigo.
Após rápidos segundos percebemos que o trem não havia partido, pelo menos para frente. Nos olhamos e, simultaneamente, viramos para a sala de casa. Ao lado do meu irmão mais novo uma bolinha girava soltando fumaça. Em menos de 10 segundos a sala havia se transformado numa verdadeira sauna.
Na verdade meus irmãos são paulinos consideraram como o inferno, mas para mim foi o paraíso, estava em meio as nuvens com o título conquistado.
A sala continuou em pé, mas confesso ter caído perante a coragem de voltar a soltar um rojão.

15 de jun. de 2009

BOTAR PARA CORRER!

Navegando pelas páginas deste fantástico mundo virtual tive a satisfação de trombar com uma notícia sobre a nossa seleção. Lá na África os canarinhos encantam a torcida local com seu jogo, algo que qualquer equipe mais organizadinha de peladeiros deste nosso país seria capaz de fazer.
Confesso que até nisso a seleção brasileira erra. Incentivar os africanos a torcer é algo terrível. Quando empolgados eles emitem aquele zumbido irritante que não permite a ninguém acompanhar a partida inteira do escrete verde amarelo. Basta ligar a TV e ouvir um barulho que simula milhares de abelhas voando ao seu redor de maneira enérgica.
Mas deixando este assunto de escanteio, meu personagem da semana é o lateral direito apoiador do Brasil. A ele remete a notícia que me deixou mais alegre e trouxe a mim a certeza de que as coisas com o time do Brasil estão normais.
Daniel Alves foi o atleta que mais correu nesta última partida contra o Egito. Vejam bem, a corrida é uma característica dominante nos seres obtusos, desprovidos da capacidade técnica e da intimidade com a bola.
Se perguntares ao jogador se ele chama a bola de você ou de senhora, mui respeitosamente ele chamará de senhora. Não existe o mínimo grau de parentesco entre a formosa redonda e o atleta em questão.
Trata-se de um falso patrício. Seu rosto não engana a ninguém, em sua veia corre sangue europeu que o faz se sentir como um verdadeiro Lorde Inglês. Tocar a relva rala parece ser um afronte aos seus pés delicados.
Mesmo assim amigos, foi ele quem mais correu – Talvez tentando se livrar deste contato com o tapete verde. Ele não é brasileiro, não cresceu nos solos de pedra e nunca esteve nos verdadeiros templos do futebol, onde nasce toda a ginga e malícia do futebol tupiniquim, as canchas de areia.
A bola é quem sempre teve vocação para correr, e isso todos os brasileiros sabem. Correr é coisa para europeu e africano. O negócio do brasileiro é botar para correr, seja a bola, o africano, ou o mais nobre do simples mortal europeu.

1 de jun. de 2009


AVENTUREIROS MODERNOS

Tenho percebido ao longo do tempo uma alteração marcante no perfil dos jovens praticantes de futebol. Cada vez mais precoces acham que dominam por completo o esporte e que seu futebolzinho, inspirado nos dribles de Cristiano Ronaldo, assombram os velhos guerreiros de outrora.
Mal sabem eles que estão no estágio inicial, são bebezinhos que acham que a descoberta da prática de defecar sentado no vaso sanitário significa ser o dono de um reinado europeu.
Ainda não tive o prazer de transmitir meu conhecimento dentro de campo para o meu primo Thiago, alguns anos mais novo.
Ele faz parte desta turma de ex-fraldinhas. Acha que me derrotará na primeira batalha que disputarmos. Sinto não poder ter sido seu mentor quando morávamos próximos.
Percebo que esta minha geração de românticos do futebol não terá continuidade. A beleza, o jogo inteligente perdeu-se no tempo.
Hoje o jogador corre, antes a bola corria, hoje o jogador berra, antes sorria, hoje o jogador é cego, antes enxergava, hoje o jogo é razão, antes era coração.
Espero poder colaborar de alguma maneira para a continuidade do futebol diferenciado que tantas alegrias proporcionou a esta nação de milhões.
Quem sabe o meu primo marrento, cujas pernas longilíneas são um convite àquela famosa caneta, deixa de ser cego e enxerga na imagem do primo mais velho o reflexo de toda qualidade que ele pode ter.